NEPAL/TIBETE — Uma das mais graves tragédias recentes do Himalaia atingiu a região entre o Nepal e o Tibete nesta semana. Um gigantesco colapso de gelo e rochas provocou uma enxurrada de água, lama e detritos, destruindo vilarejos, estradas e pontes e deixando centenas de mortos e mais de mil pessoas desaparecidas.

Segundo as informações mais recentes, o Nepal contabiliza 359 mortes confirmadas, enquanto o lado tibetano, administrado pela China, registrou três mortes. Mais de 1.000 pessoas continuam desaparecidas, incluindo turistas, peregrinos e cidadãos estrangeiros de diversas nacionalidades.

Uma onda de destruição

A tragédia começou após o colapso de uma geleira e o desprendimento de grandes volumes de gelo e rocha nas montanhas do Himalaia. O material atingiu cursos de água e provocou uma poderosa correnteza que avançou rapidamente por áreas habitadas.

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No Nepal, regiões como Rasuwa e Nuwakot foram fortemente atingidas. Casas foram destruídas, pontes desapareceram e trechos de estradas foram levados pela força da água e da lama. No Tibete, a área de Gyirong também sofreu grandes danos.

Turistas e peregrinos entre os desaparecidos

A região atingida é importante rota turística e religiosa. Muitos estrangeiros estavam no local para visitar áreas próximas ao Monte Kailash e realizar trilhas pelo Himalaia.

As autoridades trabalham para identificar os desaparecidos e localizar sobreviventes. Entre as pessoas ainda não encontradas estão cidadãos de países como Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália.

Resgate enfrenta dificuldades

As operações de emergência estão sendo prejudicadas pela destruição da infraestrutura. Estradas e pontes foram danificadas, enquanto cortes de energia e comunicação dificultam o contato com comunidades isoladas.

Equipes de resgate do Nepal utilizam helicópteros para retirar sobreviventes e transportar alimentos, medicamentos e outros materiais. A China também mobilizou equipes para atuar nas áreas afetadas do Tibete.

Não foi simplesmente um terremoto

Inicialmente, houve suspeitas de que um tremor de terra tivesse provocado o desastre. Análises posteriores apontaram, porém, que o principal fator foi o colapso de uma geleira e o consequente deslizamento de gelo e rochas.

Especialistas também chamam atenção para a crescente instabilidade das geleiras do Himalaia. O aquecimento do planeta pode aumentar o risco de derretimento, desprendimentos e eventos extremos em regiões de alta montanha.

Uma tragédia ainda sem dimensão definitiva

Com centenas de pessoas desaparecidas e diversas áreas ainda de difícil acesso, o número de vítimas pode aumentar nos próximos dias. As equipes continuam as buscas enquanto autoridades alertam para novos riscos de enchentes e deslizamentos.

A tragédia deixa um cenário de destruição no Himalaia e reacende o alerta internacional para os riscos provocados pela instabilidade das geleiras e pelas mudanças climáticas nas regiões montanhosas.