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Durante muito tempo, autismo e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) foram associados principalmente à infância. Mas essa realidade vem mudando. Cada vez mais adultos procuram profissionais de saúde depois de perceberem que determinadas dificuldades acompanhadas durante toda a vida podem estar relacionadas a condições do neurodesenvolvimento.
Dificuldade para manter a atenção, sensação de estar sempre sobrecarregado, problemas de organização, necessidade intensa de rotina, desconforto com determinados sons ou ambientes, dificuldade para compreender algumas situações sociais e períodos de concentração extrema em determinados assuntos são alguns dos sinais que podem levar um adulto a buscar uma avaliação.
O diagnóstico, entretanto, não deve ser feito a partir de uma lista de sintomas encontrada na internet. Tanto o Transtorno do Espectro Autista (TEA) quanto o TDAH exigem avaliação clínica cuidadosa.
Segundo o Ministério da Saúde, o autismo é uma condição do desenvolvimento do cérebro que afeta, em diferentes graus e combinações, a comunicação, a interação social e os comportamentos. A própria definição de “espectro” reforça que não existe um único perfil de pessoa autista.
Quando o autismo só é percebido na vida adulta?
Uma das principais características do diagnóstico tardio é que muitos adultos passaram décadas tentando entender por que determinadas situações pareciam mais difíceis para eles do que para outras pessoas.
Alguns aprenderam estratégias para esconder ou compensar determinadas características, especialmente em ambientes sociais e profissionais. Esse processo, conhecido na literatura como masking ou camuflagem, pode fazer com que os sinais sejam menos evidentes durante uma avaliação superficial.
Pesquisas e recomendações clínicas destacam justamente a necessidade de considerar o histórico de desenvolvimento, estratégias de camuflagem, diferenças individuais e possíveis condições associadas durante a avaliação de adultos.
Entre os sinais que podem aparecer no cotidiano estão:
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dificuldade em interpretar determinadas regras sociais;
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desconforto em conversas ou situações sociais;
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preferência por rotinas previsíveis;
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sofrimento diante de mudanças inesperadas;
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interesses muito intensos e específicos;
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sensibilidade aumentada a sons, luzes, cheiros, sabores ou texturas;
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necessidade de ficar sozinho depois de períodos de intensa interação social;
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dificuldade em compreender ironias, indiretas ou determinadas nuances da comunicação;
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comportamentos repetitivos ou formas particulares de lidar com situações do cotidiano.
O Ministério da Saúde também destaca resistência a mudanças, comportamentos repetitivos e hiper ou hipossensibilidade a estímulos sensoriais entre sinais associados ao TEA.
Importante: apresentar um ou vários desses sinais não significa automaticamente que uma pessoa seja autista.
E como o TDAH aparece no adulto?
No adulto, o TDAH nem sempre se apresenta como a imagem tradicional de uma pessoa extremamente agitada.
A hiperatividade pode aparecer como inquietação interna, dificuldade para permanecer parado, necessidade constante de fazer alguma coisa ou sensação de que a mente está sempre acelerada.
Em outros casos, predominam sintomas relacionados à desatenção e à dificuldade de organização.
De acordo com o CDC, adultos com TDAH podem apresentar dificuldades para administrar a atenção, concluir tarefas longas quando não são consideradas interessantes, manter a organização e controlar determinados comportamentos. Os sintomas podem interferir no trabalho, nas relações pessoais e nas atividades cotidianas.
Entre os sinais que podem levantar a necessidade de uma avaliação estão:
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esquecer compromissos;
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perder objetos com frequência;
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dificuldade para organizar tarefas;
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procrastinação constante;
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dificuldade para concluir atividades;
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distração fácil;
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dificuldade para administrar o tempo;
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impulsividade;
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interromper outras pessoas durante conversas;
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inquietação;
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dificuldade para manter o foco em tarefas consideradas pouco estimulantes;
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começar vários projetos e ter dificuldade para terminá-los.
O TDAH pode se apresentar predominantemente com sintomas de desatenção, predominantemente com hiperatividade e impulsividade ou com uma combinação dessas características.
Autismo e TDAH podem acontecer juntos?
Sim.
Uma pessoa pode apresentar características compatíveis com TEA e TDAH simultaneamente. Por isso, uma avaliação cuidadosa é importante para compreender quais dificuldades estão relacionadas a cada condição e quais podem ter outras causas.
Ansiedade, depressão, dificuldades de aprendizagem, problemas de sono e outras condições também podem produzir sintomas semelhantes ou coexistir com TDAH e autismo.
No caso do TDAH, por exemplo, o CDC destaca que a avaliação pode incluir investigação de condições que também podem causar sintomas semelhantes, como ansiedade, depressão, problemas de sono, uso de álcool ou outras substâncias e dificuldades de aprendizagem.
Por isso, o diagnóstico não deve ser baseado exclusivamente em um questionário.
Como é feito o diagnóstico de autismo em adultos?
Não existe um exame de sangue ou um único teste capaz de confirmar o autismo.
A avaliação é clínica e considera um conjunto de informações. O profissional procura entender a história de desenvolvimento da pessoa, seus comportamentos, dificuldades atuais, relações sociais, comunicação, interesses, padrões de rotina e possíveis características sensoriais.
Em adultos, também pode ser importante buscar informações sobre a infância, quando disponíveis, porque os sinais do autismo têm origem no período do desenvolvimento, mesmo que só sejam reconhecidos muitos anos depois.
A avaliação pode envolver profissionais especializados em saúde mental e neurodesenvolvimento, dependendo do caso e da organização dos serviços de saúde.
No Brasil, o Ministério da Saúde informa que o cuidado de pessoas com TEA pode começar pela Unidade Básica de Saúde e, quando necessário, envolver serviços especializados, incluindo os Centros Especializados em Reabilitação (CER).
Como é feito o diagnóstico de TDAH no adulto?
O diagnóstico também é clínico.
A avaliação considera os sintomas atuais, o histórico de vida e o impacto dessas características no funcionamento da pessoa.
Um ponto importante é que os sintomas do TDAH começam na infância, embora possam não ter sido identificados naquele período. Por isso, durante a avaliação de adultos, o profissional pode investigar se determinadas características já estavam presentes antes dos 12 anos.
O histórico escolar, relatos familiares, dificuldades de organização, atenção, comportamento e relacionamentos podem ajudar a reconstruir essa trajetória.
O Ministério da Saúde recomenda avaliação clínica e psicossocial completa para a suspeita de TDAH, com diagnóstico realizado por profissional habilitado e, quando necessário, participação de equipe multidisciplinar.
Diagnóstico não é apenas encontrar “o que há de errado”
Para muitos adultos, receber um diagnóstico pode representar uma mudança na forma de compreender a própria história.
Anos de críticas por “falta de atenção”, “desorganização”, “preguiça”, “excesso de sensibilidade” ou “dificuldade para socializar” podem ganhar uma nova perspectiva quando a pessoa passa a compreender melhor seu funcionamento.
Mas o diagnóstico não deve ser encarado como uma sentença ou como uma limitação.
O objetivo da avaliação é compreender necessidades, dificuldades e potencialidades, permitindo que a pessoa tenha acesso ao suporte adequado.
No autismo, cada indivíduo apresenta uma combinação particular de características e necessidades. No TDAH, o impacto dos sintomas também varia de pessoa para pessoa e pode mudar ao longo da vida.
Quando procurar ajuda?
Um adulto pode considerar procurar avaliação profissional quando determinadas dificuldades são persistentes e começam a interferir significativamente na vida pessoal, profissional, acadêmica ou social.
Não é necessário esperar chegar ao limite.
Esquecimentos frequentes, dificuldades importantes de organização, sofrimento diante de mudanças, problemas persistentes de interação social, sobrecarga sensorial ou dificuldade contínua para administrar tarefas podem ser motivos suficientes para conversar com um profissional.
A busca por informação é importante, mas o autodiagnóstico não substitui uma avaliação especializada.
Informação também é uma forma de inclusão
Falar sobre autismo e TDAH em adultos é falar sobre pessoas que muitas vezes passaram grande parte da vida sem compreender completamente suas próprias dificuldades.
O aumento da informação pode contribuir para que mais pessoas procurem ajuda, mas também exige responsabilidade. Nem toda distração é TDAH. Nem toda preferência por ficar sozinho é autismo. Nem toda dificuldade social representa uma condição do neurodesenvolvimento.
O diagnóstico precisa considerar a pessoa como um todo.
Mais do que colocar um rótulo, uma avaliação bem conduzida pode ajudar a responder uma pergunta que muitos adultos carregam durante anos:
“Por que determinadas coisas sempre foram tão difíceis para mim?”
Buscar essa resposta pode ser o primeiro passo para compreender melhor a própria trajetória, encontrar estratégias mais adequadas e construir uma rotina com mais qualidade de vida.
ATENÇÃO
Esta reportagem tem caráter informativo e não substitui avaliação médica ou psicológica. Sintomas isolados não confirmam autismo ou TDAH. Em caso de dúvidas, procure um profissional de saúde habilitado para realizar uma avaliação individualizada.
Publicado por:
Max William
Radialista por profissão e Jornalista em formação pela Unifatece, comecei a trabalhar na TV em 2010, quando fui contratado pela RITTV para ser Editor de Imagem, até ser promovido a Diretor de Imagem, fazendo parte da produção, gravação, edição e...
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